Quarta-feira, 24 de Março de 2010

Unidos Pelo Destino

UNIDOS PELO DESTINO


 

Era um dia soalheiro de Verão. Ana lia o seu livro preferido, Orgulho e Preconceito, sentada no parapeito da janela. O sol intenso cegava-a, à medida que trespassava o seu olhar oceânico. No entanto, havia algo, alguém, que nem o sol a impedia de ver. Gonçalo. O belo rapaz de cabelos doirados e olhos mais azuis que o céu. O rapaz que fazia o seu coração palpitar a uma velocidade comparável ao bater de asas de um pequeno e delicado colibri. Escrevera-lhe uma carta, que nunca lhe chegara a entregar. Uma carta selada com um beijo, que não era mais que um último adeus.

Viviam-se tempos difíceis. O preconceito social e racial superava agora o amor puro e verdadeiro. Ele era judeu. Ela era alemã. Um amor certamente impossível. Gonçalo era perseguido pelos nazis e, se o ajudasse, Ana seria igualmente declarada culpada. Ela sabia das consequências que os seus actos acarretariam, mas decidiu arriscar. Deixou Gonçalo esconder-se na sua casa e mentiu descaradamente à nação a que outrora pertencera.

Trocavam correspondência. O tipo de carta que apenas os apaixonados trocariam. Palavras românticas, promessas de amor eterno, lágrimas ocultas sob frases consoladoras, sorrisos íntimos e queixas desesperadas da distância que os separava.

Ana sabia o que o destino traria ao seu eterno apaixonado e a si própria: o seu pai era um competente soldado alemão e não lhe ocultava o fim dos judeus e daqueles que os auxiliavam. Não escondia a existência de campos de concentração, de câmaras de gás.

Bateram à porta. Imediatamente, e com esperança de ver o seu grande amor, correu a abri-la. Dois polícias alemães corpulentos agarraram-na com brusquidão e declararam-lhe a sua sentença: Ana estava condenada à morte por ter alojado e apoiado um judeu inimigo da Alemanha e do Fürer. Sentiu uma poderosa pancada na nuca, e desfaleceu.

Quando recuperou os sentidos, encontrava-se num local mergulhado na escuridão, e extremamente quente. Transpirava imenso, mas não cessava a sua busca por Gonçalo. Viu, por fim, o seu cabelo loiro, que se destacava no meio de todas aquelas cabeças morenas, e correu para ele, mergulhando no seu abraço e beijando-o intensamente.

Entrelaçaram os dedos e juntos prepararam-se para acolher a morte que os levaria da forma a que pertenciam: unidos num só espírito.

 

***

 

Trabalho realizado por mim e pela Diana para Língua Portuguesa, que está, neste momento, afixado na escola. Espero que gostem.

Escrito e Publicado por Filipa às 20:56
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De S a 12 de Maio de 2010 às 11:28
muito lindo...
De Diiane a 9 de Abril de 2010 às 19:48

Our text!

xD
De ChasLey ♥ a 1 de Abril de 2010 às 09:11
Olá querida!
Lamento só responder agora!
Mas se quiseres participar no concurso tens que participar na escrita e no design. Nao podes escolher.

mais uma vez desculpa só responder agora!
De Mudei-me. Tchauzinho. a 27 de Março de 2010 às 22:37
Lindo! Vocês escreveram muítissimo bem. Deves ter tido 5 a português, não?

Beijos.

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